segunda-feira, 20 de junho de 2011

O QUE ACONTECEU "Neste Dia"?



Semana passada [no Domingo] eu havia lembrado os irmãos que comemoramos o Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu sobre a igreja, que é o povo de Deus, e concedeu poder a ela para testemunhar. Hoje, pretendo lembrar outra celebração, mas esta não deve ser comemorada anualmente, e sim, semanalmente... É o Dia Do Senhor!
            “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou. [...] Porque Lembra-te de que foste escravo na terra do Egito, e que o Senhor teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o Senhor teu Deus te ordenou que guardasses o dia do sábado” (Êxodo 20.8-11 e Deuteronômio 5.15). O Senhor nos deu os dez mandamentos e, como não devemos matar (Ex: 20.13), também não podemos deixar de guardar o Dia do Senhor. Na época dos israelitas, como nós vimos acima, eles deveriam guardar o Sábado por dois motivos: 1) Por causa da Criação (Ex: 20.11); 2) Por causa da libertação do Egito (Dt: 5.15).
Hoje os cristãos também devem guardar o Dia do Senhor, mas devem celebrá-lo no primeiro dia da semana, o Domingo (Latim: Dominica Dies = Dia do Senhor), Porque neste dia Jesus ressuscitou e, através Dele: 1) Deus reconcilia a Sua Criação, que estava contaminada com o pecado (2ª Coríntios 5.17-19); 2) Deus nos liberta da escravidão do pecado (Romanos 6. 8-11).
            Infelizmente os cristãos modernos negligenciam este mandamento, fazendo compras neste dia (Neemias 13.15-22), realizando trabalhos de seu próprio interesse (Isaías 58.13-14) e não tiram o dia TODO para cultuar a Deus (Atos 20.7 / Jeremias 17.21-22) e ajudar o próximo (Mateus 12.1-14).Vamos refletir nestas palavras:
            “Que bendito Dia, não pela sua essência, pois ele não é superior... Mas pelo que nele aconteceu!  Que bendito dia... vi o Senhor ressuscitar para minha redenção...  Venceu a morte Neste Dia!  Tal dia me traz alegria, pois da morte ressurgiu A Vida! O Dia é Teu, ó Salvador! Sexta e sábado, morto estava... no primeiro dia a vida exalava... Salvou os que mortos estavam! Para celebrar Tua vitória, cultuaremos ao Senhor todos os dias! Mas nunca deixaremos de fazer especialmente Neste Dia! Este dia é Teu, Filho de Deus, pois venceu por mim a morte...     Justificou-me!     Neste Dia apareceu aos discípulos...     Neste dia o incrédulo confessou-te...Neste Dia derramou Teu Espírito... Neste Dia batizou Teus filhos... Neste Dia convocou Tua igreja... Neste dia revelou o fim! Louvado seja, ó SENHOR, todos os dias,mas,principalmente, Neste Dia!” (Poema extraído de um artigo do irmão Luciano do MCA, com algumas adaptações feitas por mim)

DEBATE COM ADVENTISTA - Parte 5

*Para retornar ao índice, clique Aqui*


5) Neste tópico o irmão Luciano usou a mesma argumentação que eu já mencionei acima. Quanto a sua refutação ["Também foi no Domingo que aconteceu o primeiro passo para a criação do universo, foi no domingo que houve a primeira luz, foi no domingo que houve a separação de luz e trevas, e foi no domingo que ocorreu primeiro dia do universo. Isso não aconteceu por acaso. E depois de tanta coisa ter acontecido no domingo na criação do universo, qual foi o dia que Deus  mandou a gente guardar?"]

Quero deixar bem claro que estamos falando do Novo Testamento. A "Nova Aliança" de DEUS para sua igreja (Mt 26:28 / Hb: 8.8-9). Não significa que os antigos mandamentos não vão ser considerados, mas alguns deles (COmo já mencionamos a Páscoa) vão sofrer alterações por causa do Novo Significado que Deus está dando para o seu povo. Para ilustrar:

DEUS ordena no Antigo Testamento que o Judeu deveria celebrar a páscoa como um lembrete de que eles foram salvos do "Anjo Destruidor" no Egito, por isso deveriam comer ervas amargas, pães asmos, etc.
DEUS revela (Por inferência e textos paralelos) no Novo Testamento que os cristãos devem celebrar a Ceia do SENHOR como um lembrete de que eles foram salvos do "Anjo da Morte", por isso devem celebrar a festa com pão e vinho, simbolizando o corpo e o sangue de nosso SENHOR JESUS.

Deus ordena no Antigo Testamento que o Judeu deveria guardar o Sábado como um lembrete de que o SENHOR criou o mundo sem pecado em seis dias e no sétimo descansou (Ex: 20.8) e tamb'em para lembr'a-los de que eles foram escravos no egito e o SENHOR os havia libertado da escravidão (Dt: 5.15).
Deus revela (Por inferência e textos paralelos) no Novo Testamento que os cristãos devem guardar o Domingo como um lembrete de que o SENHOR reconciliou consigo o mundo (que agora está manchado com o pecado) através de Jesus Cristo (2 Coríntios 5.17-19 - Detalhe do vs: 17 que no original grego a expressão é literalmente "NOVA CRIAÇÃO") e também nos liberta da escravidão do pecado através de Jesus Cristo (Jo: 8.34 / 1a Pe 2.9-10).

Percebe que o "elo" entre os dois testamentos é inevitavel? Porque eu deveria guardar o Sábado já que aquele mundo que Deus criou agora foi corrompido pelo pecado? E porque guardar este dia se eu nunca fui nem para o Egito? Eu não fui feito escravo lá! Novamente me utilizo do princípio de transição da igreja judaica para igreja Crista. Era um processo de formação.

A Realidade Natural de um Regenerado - Capítulo 2.2

*Para acompanhar o estudo desde o início, clique AQUI*


2.2 A Importância da Consideração



Depois de ensinar sobre o mandamento apostólico de saber sobre sua atual realidade, Nee mostra que o apóstolo Paulo amplia seu pensamento, com base nesse trecho das Escrituras:

Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus (Rm 6. 8-11, grifo nosso).

A consideração exigida pelo apóstolo Paulo é para que os cristãos romanos dispusessem suas mentes para a realidade aprendida anteriormente. Um conhecimento formal a respeito de uma determinada doutrina não fará diferença alguma caso não seja experimentado de forma prática na vida do cristão. Uma vida contemplativa a respeito das verdades sagradas nunca foi o propósito de Deus para seu povo.

O ato de nos considerarmos deve basear-se no conhecimento do fato divinamente revelado, pois, de outro modo, a fé não tem fundamento sobre que descansar e apoiar-se. [...] Estou morto não porque me consi­dero assim, mas por causa daquilo que Deus fez para comigo em Cristo — por isso considero-me morto. É este o verdadeiro sentido de considerar-se. Não se trata de considerar-se para se ficar morto, mas de con­siderar-se morto porque essa é a pura realidade (NEE, 1986, p. 39, 40).

Segundo Nee, Paulo nos ensina agora que faz-se conditio sine qua non considerar a verdade que antes fazia parte apenas do conhecimento. Ele esclarece que o mero saber, de que os pecadores foram incluídos na morte de Cristo, não é o suficiente. A fé nesta verdade deve ser experimentada pelo cristão, não obstante isso não ser automático. É por isso que o apóstolo Paulo ordena: “considerai-vos...”.
David Kuykendall, em sua obra Nossa identificação com Cristo, revela o mesmo parecer a respeito desta expressão:

A expressão traduzida “considerai-vos” é de teor contábil. Significa o dever de “tomar-se nota”, ou, em outras palavras, “fazer-se contabilidade”. Na linguagem do Novo Testamento grego, a palavra tem o significado de “assim proceder-se incessantemente”. Tem também a forma de mandamento. Uma tradução livre seria: “Estou ordenando a vocês que procurem continuamente fazer o lançamento na memória da importante verdade de que vocês já estão mortos para o pecado e vivos para Deus (KUYKENDALL, 1983, p. 48).

Anthony Hoekema, em seu livro O Cristão toma consciência de seu valor, também ressalta a importância de um regenerado considerar-se como nova criação.

Quando CRISTO morreu na cruz, o nosso velho homem – isto é, o nosso ser como um todo, dominado pela carne [o Princípio do Pecado] e o pecado [o ato em si] – foi morto com Ele. Isto significa que nós que estamos unidos com CRISTO pela fé não somos mais “velhos homens”. Nosso velho homem, ou velho ser, foi morto com CRISTO. [...] Perseverar nesta imagem [positiva], portanto, é uma questão de continuar crendo que o que a Bíblia diz a nosso respeito é verdade. E o que a Bíblia diz é que nós, que estamos em CRISTO, somos novas criaturas (HOEKEMA, 1987, p. 46, 102).

Ainda falando sobre a importância da consideração da obra de Cristo para a libertação do pecador, o Rev. Jair de Almeida Júnior faz um comentário de suma importância para a compreensão desta verdade:

A nosso ver, a forma objetiva está mais atrelada ao aspecto histórico da morte e ressurreição de Cristo, que causou a ruptura definitiva com Adão, a queda, e os poderes das trevas. A forma subjetiva está, aparentemente, mais ligada ao assumir por fé o novo padrão de criação, única evidência concreta da participação na regeneração do Espírito (ALMEIDA JÚNIOR, 2006, p. 160).

Almeida Júnior deixa bem claro que o fator objetivo da co-crucificação deve ser aceito pela fé, ou seja, considerado de forma verdadeiramente factual. Em Cristo, historicamente, o velho homem foi crucificado e todas as suas cadeias quebradas. A aplicação destes efeitos da crucificação na libertação do não-regenerado toma forma subjetiva quando ele entende esta verdade e a considera somente por meio da fé no sacrifício de Cristo e nas verdades das Escrituras.
Watchman Nee também apresenta algumas das ciladas usadas pela própria consciência para impedir este segundo passo na vereda do progresso cristão.

Nunca se esqueça que é sempre, e somente, verdade em Cristo. Se você olha para si próprio, não achará aí esta morte — é questão de fé nEle, de olhar para o Se­nhor e ver o que Ele fez. Reconheça e considere o fato em Cristo, e permaneça nesta atitude de fé. [...] O que é a fé? É a minha aceitação de fatos divinos, e seu fundamento sempre se acha no passado. O que se relaciona com o futuro é mais esperança do que fé, embora a fé tenha, muitas vezes, o seu objetivo ou alvo no futuro, como em Hebreus 11. [...] A fé faz com que as coisas que são reais [fatos objetivos], sejam reais na minha expe­riência [fatos subjetivos] (NEE, 1986, p. 41, 42, 46).

A consideração desta verdade é primordial para que a realidade natural de um regenerado seja constantemente vivida por ele em atitude de fé nas verdades apresentadas pelas Escrituras a seu respeito. Contudo, o novo homem que conhece a sua realidade e crê na verdade de que nasceu do Espírito, deve realizar ainda um terceiro passo para que a sua nova vida em Cristo seja normalizada.

A Revelação da Salvação em Cristo no Antigo Testamento - Capítulo 2.1 (Continuação)

*Para acompanhar o estudo desde o início, clique Aqui*

2.1.1    O Aspecto Protetor da Redenção em Cristo



Enquanto isso a redenção para Israel ganhava proporções muito maiores! Após os 400 anos escravidão no Egito, o SENHOR levanta Moisés, um representante tipológico de Cristo, para libertá-los. Deus envia dez pragas para redimir Seu povo, sendo que, na décima, ensina a Israel o aspecto protetor da redenção que Ele provê por meio de um sacrifício vicário (no caso, o cordeiro).
A redenção não significava apenas libertação da escravidão no Egito, mas, principalmente, proteção do castigo divino contra a desobediência e incredulidade (Ex: 12.23).
Da mesma forma, o sangue de Cristo faz a propiciação pelos pecados dos remidos, não permitindo que a Justa Ira de Deus seja deflagrada sobre eles (Lm: 3.22,23 / 1ª Jo: 1.7 / 2.1-2).
A nação de Israel, agora remida e protegida pelo SENHOR da escravidão no Egito, segue rumo à Terra prometida. Todavia, no deserto, o SENHOR também ensina a Seu povo outro aspecto da Redenção prometida no Messias: o perdão.


2.1.2    O Aspecto Perdoador da Redenção em Cristo



O SENHOR dá a ordem para a construção do tabernáculo, onde seriam realizados os cultos solenes da comunidade peregrina. Lá, o sacerdote, faria a propiciação pelos pecados do povo. A. R. Crabtree nos fornece informações primorosas sobre a significação e utilidade destes ritos não apenas no deserto, mas por toda a história de Israel:

No curso do desenvolvimento da religião de Israel manifestou-se a tendência de estabelecer duas opiniões a respeito da eficácia do[s] sacrifício[s]. Persistia a idéia tradicional, fortemente combatida pelos profetas, de que o próprio sacrifício tinha o efeito de cancelar o pecado do ofertante. Com o conhecimento mais claro do caráter de Deus, e da dignidade do homem, desenvolveu-se um entendimento mais profundo da natureza do pecado. O pecado interrompe a comunhão entre homem e Deus, e afasta o pecador da presença de Deus. Chegou-se finalmente a entender que o verdadeiro arrependimento do pecador, [...], era necessário no preparo do coração para receber o perdão divino e regozijar-se de novo na comunhão com Deus. [...] Com a interpretação profética do significado do arrependimento, e o entendimento mais profundo da Graça de Deus, os profetas ensinavam que o motivo do perdão do pecado está sempre no amor eterno e fiel do Senhor. (CRABTREE, 1960, p.188-189)

Levando-se em conta que a revelação do caráter de Deus e de Sua vontade foi progressiva, os profetas, à medida que recebiam a mensagem do SENHOR, entendiam e procuravam sempre lembrar o povo de que os sacrifícios em si eram apenas um símbolo de arrependimento e fé do ofertante no Messias (simbolizado pelo cordeiro – Jo: 1.29,36), mas que não tinham nenhum benefício salvífico ou perdoador em si próprio (Hb: 10.4). A condição espiritual do adorador era o foco do SENHOR. “A Lei cerimonial servia para ensinar, treinar e preparar o povo para entender o que o Deus Santo e Justo requer do homem.” (CRABTREE, 1960, p.188)
Percebemos então, nesta primeira seção literária do cânon, que o SENHOR nos revela aspectos da Redenção em Cristo, mostrando que Ele não apenas liberta do pecado, mais protege e sustenta sua proteção diariamente na vida dos eleitos; e que a humilhação e o arrependimento sinceros são características sine qua non para que o redimido usufrua do perdão divino.

EXCLUÍDO POR SER CALVINISTA!

Meus queridos irmãos; quero compartilhar com vocês um testemunho tocante que me foi enviado pelo irmão Rafael. Mais um caso de perseguição eclesiástica contra aqueles que ‘descobrem’ e defendem as Doutrinas da Graça. Muitas pessoas não compreendem alguns dramas que nós, nascidos em berço pentecostal ou neo-pentecostal, podemos estar sujeitos – nem sempre com a mesma intensidade, como já disse outras vezes.


Recomendo também a leitura de outro depoimento que publicamos aqui, no texto “Excluído da igreja por ser calvinista!”.

O depoimento que agora publico, tomando a liberdade de ocultar alguns dados pessoais, tocou-me profundamente, e oro para que sua leitura possa servir como edificação a você leitor. Ao irmão Rafael, e a sua família, o meu agradecimento, e as minhas orações para que Deus o fortaleça, e o meu apoio nessa nova caminhada.


Assine nosso RSS/Feed e receba todas as nossas atualizações; é gratuito e você fica sempre por dentro das novidades do Olhar Reformado! Assinar Newsletter


Bom dia Marcelo.

Mais uma vez não posso deixar de parabenizá-lo pelo excelente trabalho com o Olhar Reformado. Tenho sempre sido edificado com todos os post's.
Ultimamente a questão que mais tem-me despertado é o uso da lei na vida dos Cristãos. Até Pouco tempo eu adotava uma posição totalmente antinomista. Tenho um primo que é Judeu Messiânico (nossa família é de origem judaica ), e ele sempre me fazia ficar sem resposta para varias indagações que ele me fazia, quanto a utilidade da lei. Hoje já compreendo que a posição antinomista é anti-biblica, e estou procurando amadurecer no assunto, buscando aplicar os preceitos morais da lei em minha vida, crendo que a lei cerimonial se cumpriu em Cristo.

Como eu disse no último contato, iria escrever depois para contar um pouco da minha historia... Sou apaixonado por cristo e pela palavra, além de gostar muito de teologia, e sonhar com o ministério missionário. Me converti em uma igreja neo-pentecostal, que fazia parte do movimento G 12. Fiquei um ano e 2 meses nessa igreja, até que meu líder, que também era meu sócio em uma empresa, foi embora na calada da noite ( literalmente, ele se mudou de madrugada ) e me deixou com 20 mil de prejuízo. Resultado: quebrei.

Depois de um período de oração, eu e minha esposa resolvemos sair da igreja e procurar outro lugar para congregarmos. Enfim achamos um novo lugar, fomos muito bem recebidos, e embora eu nunca tenha tido proximidade com o pastor presidente, sempre fui muito ligado ao pastor auxiliar, alguém que foi instrumento de Deus para que eu me reerguesse espiritualmente.

Há 9 meses conheci a teologia reformada.

Assisti um vídeo do Paul Washer no youtube (pregação chocante), e depois outro sobre calvinismo. Vi que ele citou alguns autores, e fui buscar na net algo sobre eles, ate encontrar o site “Bom Caminho” ( do Irmão Juliane Heyse ). Lá fui muito edificado, conhecendo escritos de Lutero, Edwards, Calvino, Lloid Jones, Knox, Sproul, Pink, Packer, Piper, Spurgeon (esse foi o que mais li, uns 15 livros em pouco tempo), Baxter, Owen. Enfim, encontrei um tesouro na literatura desses homens. Li ainda vários escritos de autores puritanos que hoje não me lembro dos nomes.

As obras que tiveram mais impacto sobre mim foram: “Nascido Escravo de Lutero” e “Por quem Cristo Morreu” de Owen. A primeira sobre a depravação total e a segunda sobre a expiação limitada.

Não tinha outro caminho, me tornei calvinista, alias me descobri calvinista, pois em toda a minha vida nunca imaginei que eu poderia um dia escolher Deus. No fundo eu já sabia que a não ser que ele fizesse algo por mim, se dependesse da minha vontade eu jamais iria a ele. Meu Deus! Como me senti amado por Cristo, quando descobri que ele não possibilitou minha salvação na Cruz, mais antes ele a garantiu. Saber que vou passar a eternidade no céu ao lado do meu Senhor, e que isso é somente pela graça dele é algo muito confortante.

Há três meses eu era o primeiro candidato a ser ordenado pastor na minha igreja (hoje sou o ultimo).

Quando descobri as Doutrinas da Graça (tenho que usar essas nomenclaturas para ser compreendido, mais preferiria dizer apenas que descobri a verdade da palavra e abandonei o erro) minha primeira reação foi compartilhá-las com meus amigos cristãos, mais a reação deles não foi igual a minha; afinal um Deus Soberano assusta algumas pessoas. Outro fato que percebi é que as pessoas se sentem humilhadas ao saberem que não podem fazer nada para serem salvas a não ser confiar apenas no mérito de Cristo. Digo isso tudo com a mais plena consciência de que a Soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. Embora essa seja uma dura verdade eu sou muito feliz com ela, pois pra mim é isso que a Bíblia ensina, tanto a soberania de Deus quanto a responsabilidade humana.

Não demorou muito tempo pra que eu fosse olhado com maus olhos pelos outros cristãos (tenho um relacionamento muito bom com a maioria dos pastores da minha cidade). E em pouco tempo foi marcada na minha igreja uma reunião com a liderança para discutir a minha situação. Preparei um texto para ler durante a reunião, quando fosse me dada a oportunidade de falar, mais isso não aconteceu, apenas me perguntaram no que eu cria, e eu respondi: "Eu creio na Bíblia; creio que "pela graça sois salvo mediante a fé, e isso não vem de vós é dom de Deus", mais caso a pergunta é se concordo com a posição soteriologica de calvino, a resposta é sim eu concordo".

Acabou! Depois disso fui literalmente declarado herege (o pastor disse que o calvinismo é uma heresia, automaticamente quem ensina calvinismo é herege, e enfim eu sou herege na concepção dele).
Não houve reunião, ouve apenas um comunicado para que eu não disseminasse essa "nova" doutrina na igreja, e que caso eu quisesse permanecer na igreja deveria parar de ensinar essa doutrina aos membros. Preciso dizer que não tenho nenhum sentimento negativo em relação ao meu pastor, amo muito ele, de verdade, e entendo que ele esta apenas defendendo aquilo que acredita ser o certo. Fui então colocado de lado, não tenho oportunidade nem de colocar o gasofilacio no altar na hora dos dízimos e ofertas.

Sempre fui muito limitado quanto ao tempo, por ter que trabalhar e estudar, mais nos mais de dois anos que estou nessa igreja, comecei um trabalho em uma comunidade carente a 70km de Porto Seguro-Ba, que se tornou uma congregação, sendo o trabalho posteriormente finalizado por decisão da liderança da sede.

Tem sido difícil pra eu ficar estagnado, sem atuar ministerialmente, afinal sinto claramente que fui chamado para o ministério, e não estar caminhando em direção a isso me preocupa muito. Já faz três meses desde a reunião, e nesse tempo estou orando a Deus, para que ele coloque paz em meu coração para que eu possa me desligar da igreja, pois a situação não é das melhores. Sinto que no ultimo mês tive uma queda espiritual muito grande, pois essa situação que ainda não tinha me afetado profundamente, agora começa a me desanimar. Estou muito feliz com meu Deus, mais triste com a situação.

Vou ter que começar do zero, esse é um preço que pagarei, pois as portas se fecharam depois que caminhei em direção a verdade. As oportunidades de pregar se foram, junto com a possibilidade de ser enviado ao campo missionário pelos contatos que eu tinha, afinal agora sou um "herege", e se isso fosse a 3 ou 4 séculos atrás provavelmente eu seria lançado em uma fogueira.

Poço estar sendo covarde, mais no momento eu queria ser pastoreado, ser alimentado, afinal ainda sou um bebê no evangelho, pois não tenho nem 4 anos como Cristão.

Não poço terminar sem dizer que sou apenas um miserável pecador (digo isso sem falsa humildade), alguém que reconheceu que só pode confiar na justiça de Cristo, por não possuir justiça própria. Alguém que precisa ser completamente moldado por Deus, para se aproximar do caráter de Cristo. Alguém que é débil em varias áreas, que tem chorado e pedido libertação a Deus, afinal "se o filho do homem vos libertar, verdadeiramente sereis livres".

Enfim tenho plena consciência de quem eu sou, do quanto necessito da graça e da misericórdia de Deus.